“Tadej Pogacar vence tudo, quero estudá-lo em laboratório” cientista propõe estudo com o Campeão Mundial após amplo domínio
A superioridade de Tadej Pogacar (UAE Emirates) tem sido tão impressionante que já surgem propostas para que ele seja analisado em estudos científicos.
A ideia foi levantada pelo cientista esloveno Tim Podlogar, que comentou: “Seria excelente poder estudar Pogacar em laboratório”.
As palavras do pesquisador ganham força considerando sua reputação no ciclismo profissional, primeiro durante 3 anos de trabalho Red Bull Bora-hansgrohe e mais recentemente, como consultor na equipe suíça Tudor Pro Cycling.

“É excepcional que ele consiga vencer todos os tipos de prova“
Podlogar, que também é professor e diretor do Centro de Fisiologia do Esporte da Universidade de Exeter, na Inglaterra, descreveu o potencial de estudar o campeão mundial como a realização de um sonho.
Em entrevista ao portal esloveno Siol, ele afirmou: “O que mais me impressionou este ano foi o seu domínio. É excepcional que ele consiga vencer todos os tipos de provas, desde corridas por etapas até clássicas.”

“Ele consegue manter números tão altos, por tanto tempo, sem chegar ao final exausto“
O cientista ficou intrigado especialmente com a capacidade do esloveno de sustentar ritmos extremos. “Sua fisiologia parece incrível, como ele consegue manter números tão altos, um ritmo forte, por tanto tempo sem chegar à linha de chegada exausto”, observou.
Podlogar voltou a reforçar: “Seria incrível poder estudar Pogacar em laboratório, seria ótimo se pudéssemos estudar a fisiologia de Tadej em laboratório, digamos, com biópsias musculares, e descobrir como seus músculos funcionam”.
“Mas acho que isso está fora de questão, pelo menos pelo resto de sua carreira”, afirma Podlogar, sem esconder sua frustração.

O Especialista por Trás da Revolução Nutricional
Tim Podlogar deixou a Red Bull Bora-hansgrohe após 3 anos de atuação e a partir de 2026 atuará como consultor na Tudor, auxiliando nutricionistas e treinadores.
“Há algum tempo que queria fazer isso, pois me permite colocar meu conhecimento em prática para ajudar os ciclistas e, ao mesmo tempo, deixar minha marca no esporte, embora eu seja dedicado principalmente à ciência”, explicou.
Ele é também o responsável pelo sofisticado plano nutricional que ajudou Jai Hindley a conquistar o Giro d’Italia em 2022.
Sobre seu novo trabalho, ele projeta: “O objetivo é vencer uma etapa em um Grand Tour. A equipe está aprendendo, progredindo e, talvez, em alguns anos, sejamos uma equipe do World Tour.”

“O equilíbrio é fundamental. Poucos carboidratos nas montanhas, muitos em uma etapa de sprint”
Um dos pontos centrais de sua pesquisa é o consumo elevado de carboidratos, tendência que, segundo ele, migrou do Ttriathlon para o ciclismo nos últimos anos.
“Há dez anos, os ciclistas consumiam de 80 a 100 gramas de carboidratos por hora. Recentemente, esse número subiu para 100 a 120 gramas, e agora estamos falando de 150 a 200 gramas”, destacou.
Podlogar afirma que o maior desafio é ajustar a ingestão para cada tipo de etapa. “O equilíbrio energético é fundamental. O problema pode ir para os dois lados: poucos carboidratos em uma etapa de montanha e, às vezes, muitos em uma etapa de sprint.”
Ele explica que oferecer 120 gramas de carboidrato a um velocista em um dia de treino leve é contraproducente. Para atletas como Pogacar e Roglic, ele indica que “a quantidade ideal para dias de treino intenso é entre 100 e 130 gramas, não 180 ou 200”.

“Tadej Pogacar começou a trabalhar na adaptação ao calor”
Outro tema abordado por Podlogar foi a influência do calor no desempenho atlético e no equilíbrio energético. “O essencial é entender o que vem pela frente no dia seguinte, e não apenas pensar na etapa do dia”, afirmou.
No calor, a necessidade de carboidratos aumenta. “As enzimas trabalham mais rápido e o esforço relativo é maior. Mesmo que a absorção pareça semelhante, a eficácia dos carboidratos ingeridos no calor é mais lenta.”
Podlogar citou o próprio Pogacar: “Pogacar reclamou disso durante o Tour. Se não me engano, essa é uma das questões em que Pogacar tem se concentrado recentemente. Ele começou a trabalhar sistematicamente na adaptação ao calor, e isso lhe permitiu recuperar seu domínio.”
