UCI implementa diversas novas regras, medidas atingem capacetes, guiadores (guidões) e até mesmo o preço das bicicletas, confira o anúncio oficial
Reunido durante o Campeonato Mundial de Ciclismo de Estrada da UCI, em Kigali, Ruanda, o Comitê de Gestão do órgão aprovou um pacote de medidas que promete impactar diretamente diferentes disciplinas do ciclismo.
O presidente da UCI, David Lappartient, destacou a relevância das decisões: “O Comitê de Gestão da UCI teve três dias extremamente produtivos de discussões que ajudarão a garantir que nosso esporte continue a prosperar”.
“A segurança e a saúde dos ciclistas continuam sendo uma grande prioridade para a UCI, e os membros do nosso Comitê de Gestão tomaram decisões importantes para proteger ainda mais os atletas”, afirmou, em relatório oficial.

Alterações nas medidas do guiadores (guidão no Brasil)
Entre as novidades, está a mudança nos limites das larguras dos guiadores para as corridas de estrada. A partir do próximo ano, o guidão deverá ter pelo menos 400 mm de largura (medida de fora a fora), um alargamento máximo de 65 mm e um limite interno entre as capas dos freios de 280 mm.
Essa alteração reduz em 40 mm o limite interno original de 320 mm, que havia sido proposto em junho deste ano.
A UCI afirma que esse número poderá ser revisado futuramente pela Comissão de Equipamentos e Novas Tecnologias, “com o objetivo de potencialmente aumentá-lo para temporadas futuras”.

Críticas das ciclistas
A proposta original enfrentou críticas, sobretudo de ciclistas mulheres, para quem guidões mais estreitos são comuns. A Aliança das Ciclistas, sindicato que representa as atletas profissionais, alertou que as regras iniciais “colocariam as ciclistas em risco”.
A UCI alerto que guidões com suportes variados (conhecidos como flare) continuam permitidos. Portanto, a medida restante não representará um problema para muitas ciclistas, pois elas ainda podem correr com guidões com “apenas” 280 milímetros de largura nas alavancas de freio.

Novas regras para capacetes aerodinâmicos
Para conter o uso crescente de capacetes extremamente aerodinâmicos em provas de estrada, a UCI vai implementar a partir de 1º de janeiro de 2026, novas especificações para “capacetes para largadas massivas”.
“Essas especificações incluirão requisitos mínimos de ventilação, proibição de cascos ou acessórios de capacete cobrindo ou obstruindo as orelhas dos ciclistas e proibição de viseiras integradas ou removíveis”.
A expectativa é que alguns modelos extremos deixem de ser usados em corridas de rua, estabelecendo de forma clara a diferença entre capacetes de contrarrelógio e os voltados para provas em pelotão.

Limites de preço no ciclismo de pista
Outra decisão importante envolve o ciclismo de pista. A partir de 1º de janeiro de 2027, antes dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, entrarão em vigor limites de preços para os equipamentos.
“A adição de limites de preço reforça ainda mais a integridade das competições, evitando barreiras de custo excessivas, para que participantes de todos os países tenham acesso aos equipamentos”.
“Essas novas regras entrarão em vigor em 1º de janeiro de 2027. A partir dessa data, os preços máximos serão aplicados a quadros, garfos, rodas, guidões e suas extensões, capacetes e macacões.”
Com isso, bicicletas como a usada pelo Japão, nas Olimpíadas de 2024, avaliadas em mais de 100.000 euros podem deixar de existir.

Pontos UCI em outras disciplinas serão somados à equipe de estrada
A partir de 2027, equipes de estrada poderão acumular pontos UCI conquistados por seus ciclistas em Campeonatos Mundiais de outras modalidades, como Pista, Mountain Bike XCO, Ciclocross e Gravel.
“Esta medida se aplica a ciclistas do sexo masculino que estejam entre os 20 primeiros no ranking de estrada de sua equipe e a ciclistas do sexo feminino entre as 8 primeiros no ranking de estrada de sua equipe”.
“Nenhum ponto dessas outras disciplinas será adicionado ao Ranking Individual UCI ou ao Ranking UCI por Nação para estrada. Simulações nos próximos meses confirmarão a escala de pontos provenientes dos resultados dessas outras disciplinas.”
Na prática, isso significa que atletas como Mathieu van der Poel e Iúri Leitão poderiam acumular seus pontos no Ciclocross e na Pista para a Alpecin-Deceuninck e Caja Rural-Seguros RGA, respectivamente.

Essa nova regra tem o potencial de estimular as equipes a permitir que seus ciclistas explorem múltiplas disciplinas, fortalecendo o caráter multidimensional do esporte.