“Jonas Vingegaard, com o orgulho ferido, pode ser perigoso”, lenda das montanhas do Tour de France analisa última semana da competição
Ao contrário da maioria dos analistas, Richard Virenque não acredita que o Tour de France de 2025 esteja decidido.
O francês, o maior vencedor da camisa de bolinhas , com 7 títulos da Classificação de Montanhas do Tour, acredita em possíveis reviravoltas na última semana da corrida.
O francês destaca especialmente as etapas como o Mont Ventoux, nesta terça-feira e o Col de la Loze, na 18ª etapa, na próxima quinta-feira.

“Um ciclista com o orgulho ferido pode ser perigoso”
Em entrevista ao Cyclism’actu, Virenque compartilhou sua análise sobre a situação da prova, os desafios enfrentados por Tadej Pogacar e os segredos para brilhar na icônica subida ao Ventoux. Apesar do domínio de Tadej Pogacar até agora, Virenque não vê o Tour como encerrado.
“Não, ainda não. Ele conquistou uma boa vantagem, mas nada está decidido. Ventoux já o fez sofrer, e ainda há algumas subidas muito difíceis pela frente”.
“Ele certamente tem uma vantagem psicológica, mas Jonas Vingegaard está em busca de vingança. Ele não se fez de bobo, mas claramente foi dominado até agora. E um ciclista com o orgulho ferido pode ser perigoso.”

Virenque também ressalta que o ciclismo é imprevisível e que fatores inesperados podem mudar completamente o rumo da corrida:
“Pogacar parece intocável, mas o Tour sempre pode dar a volta por cima, especialmente se houver uma queda ou um incidente. Ele está em uma espiral de alegria com sua equipe, mas ainda há um longo caminho a percorrer.”

Tadej Pogacar, o novo “Canibal”?
Com seu desempenho arrasador em 2025, Pogacar vem sendo comparado a Eddy Merckx, o lendário “Canibal” belga. Virenque reconhece o talento do esloveno, mas lembra que até os mais fortes têm dias difíceis:
“Ele está no caminho certo, sim. O que ele está fazendo este ano é enorme. Ele está presente em todas as corridas importantes”.
“O que me surpreendeu foi sua primeira Paris-Roubaix: sem o acidente, ele poderia ter vencido. Ele é completo, muito forte… mas não invencível. Um acidente, um dia ruim, e tudo pode mudar. O suspense permanece intacto.”

“Para um escalador, o Mont Ventoux é o cume absoluto”
Questionado sobre o que o Mont Ventoux representa, Virenque respondeu com paixão e reverência à montanha que marcou sua carreira:
“Para um escalador, o Mont Ventoux é o cume absoluto. Eu cresci no sul e, para mim, é a montanha mais lendária. É duas vezes mais difícil que o Alpe d’Huez. Quando você chega ao Chalet Reynard, está a 1.500 metros, e então o vento Mistral frequentemente bate no seu rosto”.
“E o último quilômetro… terrível. Mas também é mágico: há uma conexão real com o público; é uma grande celebração do ciclismo. Acho que amanhã será um grande momento.”

“Eu tive que enfrentar um Pogacar na era Lance Armstrong”
Por fim, o francês compartilhou sua receita para surpreender o pelotão, algo que ele próprio realizou em 2002:
“Sim… faça como eu fiz em 2002! Eu tinha um Pogacar para enfrentar, era Lance Armstrong. Eu sabia como sair na hora certa e me segurar. Então, por que não? O Ventoux pode guardar algumas surpresas.”
Com a mítica subida ao Ventoux no horizonte e outras etapas duríssimas pela frente, Virenque mantém viva a chama da imprevisibilidade no Tour de France. Para ele, Pogacar ainda não cruzou a linha final da glória.
