Visma-Lease a Bike reage às acusações de Burnout na equipe “fomos a 1ª equipe a permitir famílias nos Training Camps”
O esgotamento profissional segue sendo uma discussão recorrente no pelotão do WorldTour. Quando o assunto é pressão e exigência interna, a Visma-Lease a Bike costuma aparecer no centro do debate.
Em entrevista ao canal Wielerrevue, o principal diretor da formação holandesa, Richard Plugge, não evita o tema, mas justifica a situação ao comentar 3 casos de aposentadoria, supostamente ligados à fadiga dentro da equipe.
“Não acho que seja possível comparar as situações de Fem van Empel, Tom Dumoulin e Simon Yates”. Segundo ele, cada trajetória possui circunstâncias próprias, com causas e momentos distintos, e agrupá-las acabaria levando a conclusões equivocadas.

“1ª equipe a permitir que as famílias viessem aos Training Camps“
Embora rejeite generalizações, o dirigente reconhece que o problema existe no ciclismo profissional.
“Mas certamente pensamos sobre o fenômeno do burnout no ciclismo.” Para Plugge, trata-se de uma questão concreta, atual e que merece atenção constante dentro das equipes.
O dirigente admite essa reputação, mas ressalta que há um lado menos visível do projeto, voltado ao bem-estar dos atletas. “Acho que fomos a primeira equipe a permitir que as famílias viessem aos Training Camps em altitudes elevadas”, explicou o holandês.
A iniciativa, segundo ele, foi pensada como forma de apoio emocional aos ciclistas nos períodos de isolamento. “Certamente damos atenção a isso, e funciona.”

Vingegaard como exemplo de adaptação
O caso de Jonas Vingegaard é citado como exemplo dessa abordagem. Apesar de frequentemente ser visto como símbolo máximo do modelo altamente técnico da equipe, o bicampeão do Tour de France revelou que na última temporada a carga de trabalho começava a pesar.
De acordo com Plugge, a resposta da equipe foi ajustar o planejamento, encerrando sua temporada de 2025 antecipadamente (após o Campeonato Europeu, em 05.10) e ouvindo o atleta, tentando demonstrar assim, sua flexibilidade dentro de um sistema conhecido pelo rigor.

“A Visma é mais profissional e avançada que a UAE Emirates de Pogacar”
As declarações do dirigente surgem em meio a relatos de ex-corredores que apontaram dificuldades em lidar com o método da equipe, especialmente após a saída de Simon Yates.
Tom Dumoulin foi direto ao comentar sua experiência em entrevista ao El País: “A Visma é a equipe mais profissional e avançada do mundo, ainda mais do que a UAE de Pogacar. Eles baseiam tudo em dados, em análises detalhadas. O sistema deles é tão perfeito e tudo tão estruturado que às vezes você pode se sentir enjaulado como ciclista.”
O holandês complementou destacando o impacto psicológico desse ambiente altamente controlado:
“Essa obsessão não é inerentemente ruim, como os resultados claramente demonstram, mas ao mesmo tempo cria uma atmosfera tão pesada que a pressão acaba sufocando você.”

“Você tinha muito pouca voz na Visma-Lease a Bike”
Outro ciclista que comentou o assunto foi Cian Uijtdebroeks, ao relembrar sua transferência para a Movistar em entrevista ao canal Sporza. O jovem ciclista belga relatou dificuldades em se adaptar ao funcionamento da Visma-Lease a Bike.
“Na época, perguntei se poderia trabalhar com blocos mais longos, mas era difícil dentro do sistema deles. Você tinha muito pouca voz. Foi complicado para mim.”

Ele também avaliou mudanças ocorridas após a saída do diretor esportivo Merijn Zeeman: “Desde que Merijn Zeeman saiu, ele se tornou ainda mais disciplinado. Para alguns ciclistas, isso funciona”.
“Alguém como Jonas Vingegaard prefere assim; tira o estresse, mas para um ciclista como eu, não. Eu realmente quero participar das decisões sobre meu treinamento, meu equipamento e meu calendário de corridas”, finalizou o jovem belga que está afastado das competições, após sofrer uma fratura na Volta a la Comunitat Valenciana.