Ciclista da Visma já sabia da aposentadoria de Simon Yates “ele me disse: ‘vou parar por aqui, não há nada melhor do que isso'”
A decisão de Simon Yates de encerrar a carreira pegou boa parte do mundo do ciclismo de surpresa no início deste ano. No entanto, para o britânico Owain Doull, que competiu no Giro d’Italia pela EF Education e é um amigo próximo de Yates, a notícia já era conhecida.
Doull, a nova contratação da Visma-lease a Bike para 2026, revela que foi justamente após o último dia da competição, com o britânico conquistando a vitória, que ocorreu a revelação da decisão de Yates.
“Eu estava com ele no último dia do Giro e o parabenizei”, recorda Doull. “E ele basicamente me disse: ‘Honestamente, acho que é isso para mim’”, revelou o compatriota de Yates ao Cyclingweekly.

“Acho que vou parar por aqui. Não há nada melhor do que isso”
A declaração surpreendeu Doull, que mantém uma relação próxima com Yates desde as categorias de base. Diante da afirmação, ele questionou o que o amigo queria dizer exatamente. A resposta foi direta: “Acho que vou parar por aqui. Não há nada melhor do que isso.”
A conversa permaneceu em sigilo entre os dois, indicando que a aposentadoria não foi fruto de um impulso momentâneo, mas de uma decisão amadurecida ao longo do tempo.
O relato de Doull contrasta com a percepção de outros integrantes da Visma-Lease a Bike, como Matteo Jorgenson, que mais tarde disputou o Tour de France ao lado de um Yates e afirmou não ter percebido qualquer indício de despedida. “Ele foi tão profissional no ano passado”, destacou Jorgenson.

“Para esses caras do topo, o nível de dedicação e sacrifício é enorme“
Doull diz compreender plenamente a decisão do compatriota e chama atenção para o peso que recai sobre um ciclista de elite. “É muito sacrifício, muito risco, muito tempo longe de casa, especialmente quando você compete no nível do Simon há tanto tempo”, explica.
Segundo ele, a exigência sobre líderes de equipe é ainda maior: “Para esses caras do topo, o nível de dedicação, crítica e sacrifício é enorme. Tenho o maior respeito por eles.”

Tanto Doull quanto Jorgenson elogiam a postura de Yates ao optar por se retirar no ponto mais alto da carreira, em vez de apenas cumprir contrato sem entrega total.
“Ele ganha muito dinheiro para andar de bicicleta e diz: ‘Não, obrigado. Quero terminar no mais alto nível’”, afirma Doull. Jorgenson completa e finaliza: “Passei a respeitá-lo ainda mais, porque sei que não foi uma decisão fácil.”