Tradicional ProTeam italiano pode fechar as portas “nosso projeto é parar, como gastar € 5 milhões e não competir?” questiona diretor, assista o vídeo
O proprietário do tradicional ProTeam italiano Bardiani CSF 7 Saber, Bruno Reverberi, de 84 anos, fez duras críticas ao sistema de pontuação da UCI.
A equipe terminou a temporada na 31ª posição do Ranking UCI, resultado que praticamente elimina suas possibilidades de receber um convite para o Giro d’Italia de 2027 e uma das razões fundamentais da existência da equipe.
A família Reverberi administra a estrutura desde 1982, mas Bruno revelou no podcast TriCiclo, que já começou a considerar a possibilidade de abandonar o pelotão profissional e encerrar suas atividades dentro de 2 anos.
“Nosso projeto é parar, como você pode gastar € 5 milhões e não competir?“
“Nosso projeto é parar. Como você pode gastar € 5 milhões e não ter o direito de competir?”, questiona Reverberi. há 45 Não há futuro, o ciclismo não tem futuro. Já pensamos em fechar em dois anos. Aliás, contratamos 4 ou 5 novos ciclistas e os fizemos assinar por apenas um ano.”
A instabilidade também prejudica as relações comerciais da equipe, segundo o dirigente, que considera cada vez mais difícil convencer patrocinadores a continuar investindo em um projeto sem garantias esportivas.
“Você nem tem coragem de ir até o patrocinador e pedir dinheiro. Tínhamos um projeto com jovens ciclistas, e eles simplesmente o cancelaram.”
Uma história ligada ao Giro d’Italia
Desde sua criação, em 1982, quando ainda competia sob o nome Termolan, a equipe participou de praticamente todas as edições do Giro d’Italia.
A única ausência aconteceu em 2009, quando não recebeu convite para a edição centenária da prova. Na ocasião, o episódio envolvendo Emanuele Sella, que testou positivo para EPO pouco depois de conquistar 3 vitórias em etapas na edição de 2008.
A Bardiani construiu sua identidade esportiva principalmente por meio das fugas nas etapas do Giro. Sua vitória mais recente na competição aconteceu em 2016, quando Giulio Ciccone venceu a 10ª etapa com chegada em Sestola, registrando sua primeira vitória profissional.
“Nossa maneira de correr era escapar. Agora você nem tenta escapar, porque tenta manter o ciclista ali para disputar o 10º lugar e garantir aqueles malditos pontos da UCI”, reclama Bruno Reverberi.
Reverberi defende mudanças estruturais
Na avaliação do italiano, as equipes continentais encontram condições mais favoráveis do que os ProTeams. Ele estima que uma formação continental exige um orçamento anual entre € 600 mil e € 700 mil, aproximadamente um décimo dos recursos para manter sua equipe.
Segundo Reverberi, os corredores de equipes continentais podem ser contratados por apenas € 300, sem os mesmos encargos trabalhistas das estruturas profissionais.
“Eu eliminaria imediatamente todas as equipes profissionais, que não fazem sentido algum, e daria às equipes continentais a chance de fazer o que estamos fazendo agora. Assim, com base no mérito esportivo, você pode participar do Giro d’Italia.”
“Atingimos o ápice com Pogacar, mas tudo está desmoronando por baixo”
O dirigente também direcionou suas críticas à própria UCI, responsabilizando a entidade pela deterioração das condições do ciclismo profissional. “A UCI é incompetente. Eles destruíram o ciclismo”, declarou Reverberi.
Além do sistema de pontuação, ele questionou as prioridades da entidade, acusando-a de atender principalmente aos interesses dos grandes organizadores de provas.
“Vocês conseguem entender que a UCI tem que decidir com qual bicicleta você vai competir? Vocês conseguem verificar o tamanho das meias? É possível competir no ciclismo sem rádios no Campeonato Mundial?”
Para o proprietário da Bardiani, o crescimento das grandes estrelas e o sucesso das principais equipes acabam escondendo uma crise que se desenvolve nas categorias inferiores do esporte. Ele utilizou Tadej Pogacar como exemplo.
“De certa forma, atingimos um ápice com Pogacar, mas tudo está desmoronando por baixo”, afirmou Reverberi. “O ciclismo está desaparecendo e ninguém está prestando atenção“, concluiu o italiano.