Tadej Pogacar revela novas fraturas “mais duas vértebras quebradas”, esloveno dá detalhes sobre momentos de tensão após grave queda
Tadej Pogacar (UAE Emirates-XRG) sofreu 3 fraturas nas vértebras durante a grave queda na Vuelta a España, e não apenas uma, como havia sido inicialmente diagnosticado.
O esloveno revelou a informação em uma entrevista concedida ao The Athletic, seção esportiva do tradicional jornal americano The New York Times. A descoberta das outras duas fraturas aconteceu somente 6 semanas depois do acidente.
“Descobrimos que eu tinha mais duas vértebras quebradas”
Há exatamente 2 meses, Tadej Pogacar sofreu uma queda violenta durante a 8ª etapa da Vuelta a España, quando vestia a camisa vermelha de líder da classificação geral. O acidente teria provocado inicialmente uma concussão grave, uma fratura na clavícula e uma lesão na região cervical.
“Na verdade, é uma história engraçada”, começou Pogacar durante a entrevista publicada pelo The Athletic. “Há duas semanas, eu estava na Eslovênia e fui fazer outra tomografia computadorizada. Eu sabia que tinha uma fratura na vértebra C7, mas depois descobrimos que eu tinha mais duas vértebras quebradas: a T1 e a T2.”
A vértebra C7 pertence à região cervical da coluna, enquanto T1 e T2 são as duas primeiras vértebras torácicas, localizadas imediatamente abaixo da região cervical.
“Naquele momento, fiquei feliz por não ter participado do Campeonato Europeu, que era meu objetivo inicial. Quando vi que tinha 3 vértebras quebradas. Na verdade, estou feliz por estar vivo, ou melhor, por estar de pé.”
“Preciso ter cuidado para não cair novamente“
Pogacar afirma que sua recuperação está evoluindo muito bem, ainda precisa tomar alguns cuidados, principalmente em relação ao braço esquerdo e ao pescoço.
“Não tenho mais nenhum problema. Só preciso ter cuidado para não cair da bicicleta novamente e para não levantar coisas pesadas com o braço esquerdo ou forçar muito o pescoço. Mas, na verdade, já consigo fazer tudo normalmente.”
Pogacar descreveu detalhadamente como aconteceu o acidente na Vuelta. “Essas quedas sempre acontecem muito rápido”, iniciou.
“Lembro-me de ter perdido o controle do guidão com a mão direita, então me inclinei para a frente e fui arremessado por cima do guidão. Eu ainda estava meio que na bicicleta quando vi um ciclista com a camisa amarela da Visma, acho que era o (Ben) Tulett, e bati nele e aí caímos.”
“A próxima coisa de que me lembro foi de voar e bater com muita força no chão. Não me lembro de ter batido com a cabeça, nem da primeira vez que tentei me levantar, mas lembro que não conseguia levantar o braço. Pedi ao médico que o levantasse para mim.”
Situações constrangedoras no hospital
Pogacar relembrou os difíceis momentos após a queda. “Eu só queria sentar no chão, no acostamento. Lembro que tentei pegar a bicicleta, mas com a mão esquerda não conseguia segurar nada. Não me lembro de muita coisa da ambulância, mas lembro de ir para um hospital próximo, e foi uma experiência e tanto.”
No hospital, Pogacar passou por situações constrangedoras, especialmente por causa das dificuldades físicas provocadas pelas lesões. “Eles me trouxeram um recipiente para urinar e disseram que eu precisava urinar porque precisava esvaziar a bexiga. Eu fiquei tipo, para quê?”
“Aí me deixaram atrás da cortina por 5 minutos e eu tive que urinar na cama, o que foi uma experiência e tanto. Depois disso, fiquei lá deitado dando autógrafos para os médicos e enfermeiros e tirando algumas fotos.”
“Eu estava meio grogue, e eles estavam cortando meu uniforme pelas costas, tirando pequenos pedaços da camisa e perguntando se eu podia autografar essas partes. Meu uniforme agora tem vários buracos, que eu dei para a equipe”, complementou Pogacar.
“Tomei sorvete quase todos os dias“
Durante a recuperação, o esloveno também encontrou nos sorvetes uma maneira de tornar os dias mais agradáveis. “Acho que tomei sorvete quase todos os dias quando saí do hospital, por quase duas semanas seguidas”, afirma o esloveno.
“Qualquer coisa com chocolate, eu gosto muito de gelato de verdade. Tem um Nocciolata (um sabor italiano de chocolate e avelã) que temos aqui em Mônaco que é muito bom.”
“No dia seguinte, eu pensei: ‘Vamos a pé até um lugar a 10 minutos daqui’, uma das melhores sorveterias. E eu me lembro de como foi difícil. Fomos até a gelateria, ainda estava bem quente e eu estava suando. Lembro que me disseram para não suar muito por causa dos pontos, então entrei em pânico, o que só me fez suar ainda mais”.
O passeio acabou sendo muito mais desgastante do que imaginava. “Eu precisava sentar porque estava exausto, estava realmente sofrendo. Terminei o sorvete e quase tive que correr para casa. Me sentia muito desconfortável. Eu precisava chegar em casa o mais rápido possível”, complementou Pogacar.
Recuperação já incluiu natação
Para finalizar, Pogacar encerra com uma mensagem sobre sua recuperação. “Agora, em Mônaco, corro, nadei algumas vezes. É importante construir uma base realmente boa agora, durante o inverno”.
“Na verdade, ainda não é inverno aqui, hoje mesmo pedalei de bermuda. Mas sinto que estou voltando ao ritmo certo de treinamento e recuperação“, finalizou Pogacar, com uma mensagem otimista aos fãs.