Diretor do WorldTour contesta fortemente acusações à equipe “a história é enganosa, não aceitamos isso”

O diretor da Picnic PostNL, Iwan Spekenbrink, pronunciou-se pela primeira vez sobre as graves denúncias de uma suposta cultura de medo dentro da equipe neerlandesa.

Em entrevista ao jornal De Telegraaf, o dirigente contestou a imagem apresentada pelas reportagens da NOS Sport e do podcast In De Waaier, baseada em entrevistas com pessoas que trabalham ou trabalharam na organização. Os relatos chegaram a descrever uma estrutura marcada pela “tirania”.

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“A história é enganosa”

Na entrevista, Spekenbrink admitiu que alguns ex-integrantes da equipe tiveram experiências negativas, mas discordou da interpretação geral apresentada pelas publicações. “A ‘cultura do medo’ em torno da qual a história foi construída é enganosa, na minha opinião”, afirmou o dirigente.

Spekenbrink também mencionou os ex-ciclistas Marcel Kittel, Tom Veelers e Kirsten Wild, que manifestaram críticas à equipe.

“Eles são críticos, e esse é o direito deles, mas nenhum dos 3 confirma o quadro que está sendo pintado. Diversas fontes expressaram essa opinião, e eu lamento, porque sempre queremos um ambiente de trabalho seguro para todos. No entanto, uma versão unilateral dos fatos foi apresentada.”

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Iwan Spekenbrink

“Acreditamos na nossa forma de trabalhar”

Entre os relatos divulgados, o ex-ciclista Martijn Tusveld descreveu ter enfrentado um período de intenso sofrimento psicológico durante sua passagem pela equipe, incluindo pensamentos suicidas.

Apesar da controvérsia, Spekenbrink afirmou que a organização não pretende abandonar os princípios que orientam sua filosofia de trabalho. “Ainda acreditamos na nossa forma de trabalhar. O trabalho em equipe é a nossa base, com respeito mútuo”, declarou.

Apesar disso, ele reconhece que as denúncias representam uma oportunidade para avaliar o funcionamento da estrutura e identificar possíveis problemas. “Em um momento como este, é preciso reavaliar a posição da organização. Não temos medo de errar, porque todos erram, em todo lugar.”

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“Não aceitamos isso”

Spekenbrink explicou que a ausência de uma manifestação anterior da equipe também esteve relacionada à maneira como os jornalistas conduziram o contato com a organização. Segundo ele, a Picnic PostNL recebeu apenas oito perguntas e teve dois dias para preparar as respostas.

“Eles nos enviaram apenas 8 perguntas, para as quais tínhamos dois dias para responder. Em outras palavras, uma abordagem que garantisse a credibilidade da matéria. Não aceitamos isso.”

O dirigente afirmou que gostaria que os profissionais que continuam trabalhando na equipe também tivessem tido a oportunidade de apresentar suas experiências. Como argumento, mencionou o ambiente de convivência que observa durante as competições.

“Quando você caminha pelo paddock, sempre vê muita diversão e camaradagem em nossa equipe.”

O neerlandês ressaltou ainda que aproximadamente 160 pessoas trabalham na organização, afirmando que as experiências individuais dentro da equipe podem ser bastante diferentes. “As coisas podem correr bem dentro de uma organização, mas as experiências individuais podem ser menos positivas.”

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Equipe corre risco de rebaixamento

Ao reafirmar sua confiança na filosofia da equipe, Spekenbrink voltou a destacar a importância do trabalho coletivo e do respeito mútuo como pilares da organização. “Continuamos acreditando na nossa forma de trabalhar juntos. O trabalho em equipe é a nossa base, com respeito mútuo.”

O dirigente também demonstrou confiança de que a Picnic PostNL continuará contando com uma licença WorldTour na próxima temporada, apesar dos graves problemas financeiros que a equipe enfrenta, que culminaram na não apresentação dos documentos à UCI, para permanecer na principal categoria do ciclismo mundial para 2027.

“Presumo que teremos uma licença do WorldTour no próximo ano. Esse processo está em andamento. É um momento difícil, mas sairemos dessa mais fortes”, concluiu Spekenbrink.

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