Equipe do World Tour abre investigação após graves acusações, 71 pessoas denunciam equipe por “cultura do medo”, confira o comunicado

Uma cultura de medo teria marcado durante anos o ambiente de trabalho do World Team neerlandês Picnic PostNL, chefiada por Iwan Spekenbrink.

A denúncia faz parte de uma extensa investigação conduzida pelo canal NOS Sport e pelo podcast In De Waaier, que realizaram, nos últimos meses, entrevistas confidenciais com 71 pessoas ligadas a formação do WorldTour.

Segundo os relatos, ciclistas e integrantes da estrutura da equipe sentiam-se inseguros diante da cultura interna da organização. Alguns teriam deixado o grupo com traumas decorrentes das experiências vividas durante sua passagem pela formação.

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“Pensei em me machucar”

Um dos casos relatados é o do ex-ciclista Martijn Tusveld. Depois de questionar as decisões táticas da equipe durante o Giro d’Italia de 2020, ele foi informado pela direção, no final daquela temporada, de que estaria contribuindo para criar uma “atmosfera negativa” dentro do grupo.

No inverno de 2025, Martijn Tusveld, deixou a equipe e enviou um e-mail ao diretor esportivo Rudi Kemna. Na mensagem, afirmou sentir-se “impotente” e relatou que seu desenvolvimento profissional estava sendo prejudicado.

Em entrevista ao NOS, o ex-ciclista explicou como a situação afetou seu comportamento. “Fiquei ansioso”, contou Tusveld. “Pensei: vou ficar de boca fechada e dizer sim e amém. E fiz isso pelo resto dos anos com essa equipe. Também pensei em me machucar”, revelou o neerlandês que encerrou sua carreira sem registrar vitórias.

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“Uma forma de tirania prevalece“

O caso de Tusveld não seria isolado. Os depoimentos das 71 pessoas entrevistadas pelo NOS Sport e pelo In De Waaier apontam para um ambiente de trabalho marcado pelo medo.

Entre as descrições apresentadas estão referências a um “ambiente de trabalho inseguro”. Um dos entrevistados afirmou ter “perdido a cabeça”, enquanto um antigo funcionário disse que se sentia principalmente como um “policial”.

Um ex-ciclista resumiu sua percepção da situação com uma expressão contundente: “Uma forma de tirania prevalece”.

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A equipe conquistou somente sua 3ª vitória em 2026, nesta quarta-feira no Tour de Guangxi, com Frits Biesterbos

“Eles começaram a ficar paranoicos” acusa treinador de Tom Dumoulin

O treinador Adriaan Helmantel, que trabalhou durante anos como treinador pessoal do Campeão do Giro d’Italia, Tom Dumoulin, confirma o ambiente de tensão na equipe. Ele recordou uma reunião realizada em novembro de 2017, na sede da equipe (chamada até então de Sunweb), em Sittard.

Na ocasião, ele questionou a ausência de uma ligação direta entre o ciclista e seu preparador físico. “Olhei para aquele diagrama projetado na tela e disse: ‘Acho que está faltando uma seta entre o ciclista e o preparador físico’. ‘Não’, disseram eles.”

Segundo Helmantel, a direção pretendia tornar os processos mais rápidos e centralizados, restringindo as relações entre treinadores e atletas.

“’Vamos agilizar o processo’, disseram eles. Então, os treinadores não podiam mais conversar entre si, nem com os ciclistas. Eles temiam seriamente que os ciclistas tomassem as decisões se a relação entre treinador e ciclista se tornasse muito próxima. Eles começaram a ficar paranoicos”, complementou Helmantel.

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Tom Dumoulin com as cores da Sunweb

“Encomendaremos uma investigação independente”

Após a divulgação da investigação jornalística, a Picnic PostNL anunciou que contratará uma entidade independente para avaliar a cultura interna da equipe. A decisão foi comunicada oficialmente pela formação, chefiada por Iwan Spekenbrink.

“Tomamos conhecimento das publicações da NOS Sport e da In de Waaier a respeito da Team Picnic PostNL”, começa o comunicado.

“As histórias compartilhadas por ciclistas e membros da equipe, atuais e antigos, nos afetam. Ao mesmo tempo, não nos reconhecemos no retrato geral pintado nessas publicações.”

A equipe afirmou reconhecer a importância dos testemunhos, mesmo que as experiências relatadas sejam diferentes entre si.

“O fato de as experiências variarem não diminui a seriedade das histórias que vieram à tona. Portanto, encomendaremos uma investigação independente sobre como nossa cultura de equipe é vivenciada na prática e em que medida ela se alinha com a cultura que buscamos.”

“Estamos orgulhosos do que construímos desde 2008, juntamente com as muitas pessoas que fazem ou fizeram parte desta equipe. Precisamente por essa razão, acreditamos ser importante fazer uma autoavaliação crítica”, encerra o comunicado da equipe.

Confira o comunicado oficial da equipe

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