“Caímos numa espécie de emboscada” jornalista revela intimidação em polêmico encontro com equipe do World Tour
Segundo Thijs Zonneveld, apresentador do podcast In de Waaier e um dos jornalistas responsáveis pela polêmica investigação sobre a “cultura do medo” da Picnic PostNL, funcionários da equipe cercaram um grupo de jornalistas na última quarta-feira, durante um treinamento de serviço da equipe.
Zonneveld e os profissionais da emissora NOS haviam enviado 23 perguntas por e-mail e viajaram até a sede do time, para dar à equipe a oportunidade de apresentar sua versão dos acontecimentos. Entretanto, o encontro acabou se tornando tenso.
“Caímos numa espécie de emboscada, as pessoas gritavam para nós”
“Caímos numa espécie de emboscada, com 25 pessoas ao nosso redor no salão central do curso de serviço. As pessoas gritavam coisas para nós, e Marloes Poelman, uma das gerentes, tentou tomar um dos nossos telefones”, relatou Zonneveld ao WielerFlits, em uma entrevista em vídeo realizada durante o Eneco Tour, nesta quinta-feira.
A Picnic PostNL contestou o relato do jornalista, alegando que não estava claro se Zonneveld havia respeitado os acordos estabelecidos previamente. A equipe também afirmou que havia oferecido à NOS uma reunião para discutir sua filosofia e visão de trabalho, mas que a emissora recusou o convite.
Apesar disso, nenhum integrante da direção respondeu aos questionamentos. “No fim, os líderes não estavam preparados para responder. Nem às perguntas, nem sobre o conteúdo, e certamente não diante das câmeras. Aí a conversa termina. E aí também não podemos incluir a perspectiva deles”, explicou Zonneveld.
“Realmente muito doloroso e revelador”
Além de apresentar o podcast In de Waaier, Thijs Zonneveld tem passagem como ciclista profissional e trabalha na gestão equipe continental BEAT CC p/b Saxo. O jornalista também manifestou surpresa por ter sido cercado por integrantes da equipe durante o encontro.
“Embora possa haver pessoas entre eles que também tenham falado conosco, elas são, na verdade, dependentes umas das outras em sua relação de trabalho, pois são empregadas por essa equipe. Acho isso realmente muito doloroso e revelador”, encerrou Thijs Zonneveld.
Diretor da equipe responde às denúncias
A investigação foi baseada em entrevistas confidenciais com 71 funcionários atuais e antigos da Picnic PostNL. O levantamento revelou denúncias de uma suposta cultura de medo sob a liderança do gerente da equipe, Iwan Spekenbrink, e do diretor esportivo Rudi Kemna.
Em sua primeira reação às denúncias, também ao canal Wielerflits, Rudi Kemna demonstrou estar emocionalmente abalado com o conteúdo da investigação.
“A única reação que posso dar é que estou profundamente chateado. Que me solidarizo com todas as pessoas que aparentemente traumatizamos, não sei que palavras estão sendo usadas. Estou perplexo com isso, mas também me comove profundamente.”
O diretor esportivo também lamentou a maneira como a equipe e seus dirigentes foram retratados publicamente.
“Me dói que sejamos retratados dessa forma como equipe, e pessoalmente, eu e o Iwan também… Tentamos liderar a equipe da melhor maneira possível, principalmente no que diz respeito à segurança. Venho de uma cultura, você sabe como era antigamente”, declarou Kemna, lembrando ao seu passado relacionado ao doping, que admitiu em 2013.
“É exatamente isso que não queremos: ter que fazer algo que não queremos para melhorar o desempenho. Lideramos uma equipe no esporte de elite, de forma aberta e honesta. E essa é a acusação que recebemos… Estou devastado com isso.”
Por fim, Rudi Kemna rejeitou qualquer identificação com o cenário descrito pelas denúncias. “Não me identifico com isso de forma alguma“, encerrou o diretor.