Campeão do Tour de France revela casos inusitados no início da carreira “ganhei meu peso em chocolate, falei que eu pesava 80kg”
Após 19 anos de carreira, Geraint Thomas colocou um ponto final no ciclismo profissional, após uma trajetória marcada por desafios, reviravoltas e conquistas inesperadas.
De promessa nas clássicas a vencedor do Tour de France em 2018, sua evolução acompanhou também a ascensão de uma das equipes mais dominantes do ciclismo moderno, a histórica equipe SKY.
Em entrevista ao L’Équipe, o britânico de 39 anos, relembrou sua carreira, revelando alguns aspectos inusitados durante seus primeiros anos como ciclista profissional.

Início da carreira nas Clássicas: “Na Bélgica tudo era diferente, parecia mais profissional“
Quem acompanhou apenas a última década de Geraint Thomas talvez não imagine o quanto ele era forte nos paralelepípedos. No início da carreira, essa era justamente sua especialidade.
Ainda como Junior, o britânico venceu a Kuurne–Bruxelas–Kuurne (2003), um feito raro para um britânico na prova, dominada por belgas e holandeses. Thomas admite que havia uma grande diferença em relação aos rivais belgas.
“Venci na Grã-Bretanha, mas na Bélgica tudo era diferente. Lembro-me de entrar no vestiário, sentir o cheiro do óleo, do creme hidratante; tudo parecia mais profissional. Eles tinham o próprio mecânico, ou o pai fazia tudo.”

“Ganhei meu peso em chocolate, disse que eu pesava 80kg”
No ano seguinte, Thomas voltou a vencer, agora na Paris-Roubaix, ainda na categoria Junior e guarda até hoje uma história curiosa sobre a premiação. “Ganhei um pequeno paralelepípedo de chocolate, mas também o meu peso em chocolate”, contou.
“Me perguntaram quanto eu pesava; devo ter dito uns 80 kg, e o homem me olhou de um jeito estranho, da cabeça aos pés.” Se ele realmente recebeu e comeu tudo isso, o galês prefere não revelar.

“Meus amigos usaram máscaras com o meu rosto estampado“
A primeira participação de Geraint Thomas no Tour de France veio cedo, em 2007, quando tinha apenas 21 anos. Ele alinhou em Londres defendendo a equipe continental Barloworld, numa escolha estratégica.
“Na verdade, eles me escolheram porque a largada era lá, eu era o mais jovem (21 anos) e seria uma boa publicidade para a minha equipe, a Barloworld”.
“Meus amigos vieram me apoiar, usaram máscaras com o meu rosto estampado e a história até saiu no jornal. Foi uma loucura; eu nunca imaginei que aconteceria tão cedo.”

“Muita gente não gostou: uma equipe nova, vindo de um país não tradicional“
Naquele momento, poucos imaginavam que tipo de ciclista Thomas se tornaria. A Team Sky apostou no britânico. Fundada em 2010, a equipe confiou no galês desde o início, uma parceria que duraria até sua aposentadoria.
O impacto foi imediato. “Muita gente não gostou: uma equipe nova, muito dinheiro, falastrões, vindo de um país não tradicional… Tínhamos rolos para aquecer, mas ninguém usava. Todo mundo olhava para nós e dizia: ‘Caramba, quem são esses caras? E nós vencemos.”

“Às vezes eu inventava histórias na minha cabeça“
Ao longo da carreira, Thomas sentiu frequentemente que precisava provar seu valor. Mesmo quando as críticas não eram explícitas, ele próprio se cobrava. “Às vezes eu inventava histórias na minha cabeça”, admite.
“Em 2019, mesmo sem ter ouvido isso ainda, pensei: ‘Ah, as pessoas acham que minha vitória no Tour de France em 2018 foi apenas uma coincidência’. Isso me motivou ainda mais”, complementou Geraint Thomas.
A resposta veio na estrada: um ano após conquistar o Tour de France, Thomas voltou ao pódio em Paris, desta vez como segundo colocado, atrás do companheiro de equipe Egan Bernal.
Um desfecho que simboliza não apenas sua consistência, mas também a força coletiva da geração que ajudou a transformar o ciclismo britânico.
