“Deixar Tadej Pogacar para trás foi algo excepcional” Wout Van Aert descreve a vitória épica no Tour de France 2025
Wout van Aert (Visma-Lease a Bike) esteve recentemente nos Estados Unidos, onde aproveitou para conceder diversas entrevistas e visitar a fabricante de bicicletas Cervélo.
Durante a estadia, o belga falou com o renomado New York Times, lembrando momentos icônicos da carreira e detalhou um dos episódios mais emblemáticos de 2025: a última etapa do Tour de France, quando largou Tadej Pogacar em Montmartre e rumou a uma vitória solo na Champs-Élysées.

“Jonas de amarelo, eu de verde“
O jornal americano destacou o sucesso de Wout Van Aert em diversas edições do Tour de France: desde sua estreia em 2019, quando venceu uma etapa, ele acumula 10 vitórias, além de vencer a Classificação por Pontos da edição de 2022.
Além disso, desempenhou um papel fundamental no apoio a Primož Roglič e Jonas Vingegaard na luta pelas classificações gerais.
“Há alguns anos, a mentalidade estava diretamente relacionada aos resultados. Depois que vencemos o Tour 2 vezes, acho que todos perceberam o quão especial foi, por causa de como conseguimos: Jonas de amarelo, eu de verde. As pessoas falavam sobre a vitória, mas também sobre como pedalamos como uma equipe.”

Montmartre, Pogacar e um ataque para a história
Em 2025, Van Aert voltou a assumir funções de gregário de luxo para Jonas Vingegaard no Tour de France, embora também tivesse liberdade para disputar etapas.
Entretanto a consagração veio somente na 21ª e última etapa, quando, sob chuva e nos perigosos paralelepípedos parisienses, foi o único ciclista capaz de deixar o Maillot Jaune, Tadej Pogacar (UAE Emirates-XRG) para trás, em um duelo direto na icônica subida a Montmartre.
“Entrar na última volta com seis caras foi uma surpresa”, lembra Van Aert. “E ter o Tadej nesse grupo também foi uma surpresa, porque eu achei que ele evitaria os riscos. Isso tornou minha vitória muito maior, porque ele estava disposto a se esforçar mais uma vez”, Wout van Aert inicia seu relato.

“Deixar o Tadej para trás foi algo excepcional“
“Meu plano era atacar em Montmartre, eu tinha esse plano em mente antes da corrida e queria executá-lo. Nas duas primeiras subidas, senti que podia forçar um pouco mais do que estávamos, então minha confiança foi aumentando.”
“Deixar o Tadej para trás foi algo excepcional. Foi um momento incrível, mas só alguns dias depois percebi o grande impacto que isso teve. Literalmente centenas de pessoas entraram em contato nas horas e dias seguintes para contar como tinham vivenciado aquilo.”
Duas vitórias no ano, ambas nos Grand Tours
A vitória no Tour complementou outro grande triunfo de Van Aert em 2025: a também icônica 9ª etapa do Giro d’Italia, com chegada em Siena, local da chegada da Strade Bianche. Foram apenas duas vitórias no ano, mas ambas em locais emblemáticos na história do ciclismo.
“Eu tinha esse gesto de vitória em mente há muito tempo. Depois que me lesionei, eu tinha um objetivo. Eu queria mostrar que ainda estou aqui, que ainda posso estar entre os melhores ciclistas. Eu queria mostrar que ainda estou aqui.”

Ao final, ele admite que as lesões em sequência, alteraram também sua abordagem às corridas e sua seleção de objetivos na temporada.
“Depois das lesões, optei por pegar mais leve, correr menos riscos e evitar o perigo. Mas eu odiava as corridas em que não estava no meu melhor. Percebi que estava no ciclismo para ser a melhor versão de mim mesmo, finalizou Wout van Aert”.
