“É Tadej Pogacar e depois os outros, Evenepoel não sabe qual pedal pressionar”, treinador de Bernard Hinault projeta o Tour de France
Às vésperas da Grand Départ do Tour de France 2026, que acontecerá em Barcelona, no próximo dia 4 de julho, a expectativa em torno da maior corrida do ciclismo mundial cresce a cada dia.
Entre as vozes mais respeitadas do esporte está Cyrille Guimard, ex-treinador de Bernard Hinault e Laurent Fignon. Em entrevista ao canal Cyclism’Actu, Guimard analisou o domínio de Tadej Pogacar, destacando o futuro de Paul Seixas e Isaac Del Toro.

“Existe Pogacar e depois todos os outros“
Questionado sobre o impressionante ataque de Tadej Pogacar (UAE Emirates-XRG) a 70 km da chegada na 1ª etapa do Tour de Suisse, Guimard foi categórico: “Acho que hoje existe Pogacar e depois todos os outros. Isso é inegável; os fatos são os fatos”.
“Não é a primeira vez que isso acontece: quando a corrida acelera um pouco, não sobram muitos ciclistas. No momento que Pogacar acelera, ninguém tenta alcançá-lo. Faz sentido, porque todos sabem que se você tentar seguí-lo, nos próximos 500 metros, ele lançará um ou dois ataques e o deixará para trás.”
“Na verdade, eles têm razão. Portanto, sim, Pogacar está um nível acima de todos os outros. Os fatos falam por si”, complementa o francês.

“O ponto fraco de Paul Seixas é a descida”
Outro tema abordado foi o abandono de Paul Seixas após a queda sofrida no Tour Auvergne-Rhône-Alpes. Apesar do talento do jovem francês, Guimard acredita que existe um aspecto específico que precisa ser aprimorado.
“Se formos procurar o ponto fraco de Paul Seixas, para mim é a descida. Tudo o que ele faz é bonito, fluido e preciso, mas ele nunca tem margem para erros”.
“Já disse isso na Volta ao País Basco: ele precisa frear um pouco mais e, sobretudo, trabalhar a técnica nas curvas rápidas. Repito, ele não tem rede de segurança. Ao menor deslize ou com uma velocidade um pouco excessiva, ele não consegue se recuperar.”

“Paul Seixas é muito impaciente”
Quando questionado sobre a participação de Seixas no Tour de France, Guimard demonstrou preocupação com a pressa em lançar o jovem talento na principal corrida do calendário.
“A verdade é, como já disse: ele é muito impaciente. E paciência não desperdiça tempo. Quando vemos o domínio de Pogacar e Isaac Del Toro, estamos falando de dois ciclistas da mesma equipe. E depois tem o Jonas Vingegaard logo atrás.”
O francês utilizou uma comparação acadêmica para explicar seu ponto de vista. “Fazer o Tour com 19 anos… Os discursos já estão prontos: ‘Ele vai aprender, ganhar experiência’. Desculpem, mas quando você faz um vestibular para uma universidade, você não vai lá para aprender a fazer provas”.
“Você vai lá para ter sucesso. Paul Seixas é um ciclista que deveria estar fazendo seu primeiro Tour quando praticamente tem todas as cartas na mão para vencer. Hoje, não é o caso. Mesmo se terminar em 2º, terá sido derrotado.”

“Evenepoel nem sempre sabe qual pedal pressionar”
Ao analisar as chances da UAE Emirates conquistar uma dobradinha no Tour de France, após o domínio de Isaac del Toro no Tour Auvergne-Rhône-Alpes, Guimard demonstrou confiança na força da equipe.
“Sim. Quem consegue pedalar tão rápido quanto Del Toro? Vingegaard, talvez Seixas… Florian Lipowitz, muito bom.”
Por outro lado, o francês mostrou reservas em relação a Remco Evenepoel. “Evenepoel, acho que é mais complicado. Ele parece imprevisível hoje em dia. Tenho a impressão de que ele nem sempre sabe qual pedal pressionar na hora certa, exceto nas provas de contrarrelógio”.

“Claramente, ele ainda está se encontrando. Ele tem potencial para subir ao pódio, isso é óbvio. Mas se eu tivesse que apostar dinheiro nele, pensaria duas vezes”, finalizou Cyrille Guimard.