“A UAE Emirates não foi perfeita, deixamos escapar vitórias” diretor da UAE prevê crescimento ainda maior em 2026
A UAE Emirates encerrou 2025 novamente como líder do ranking mundial, porém, na avaliação interna, ainda há espaço para evoluir. Em entrevista ao MARCA, o diretor Joxean Fernández Matxín afastou a ideia de perfeição, projetando novas conquistas para 2026.
“Muito bom. Não excepcional, porque excepcional é a perfeição e não foi a perfeição. Deixamos escapar algumas vitórias, então não foi perfeito. Mas sim, estivemos em um nível histórico.” afirmou o espanhol.

“Se possível, uma vitória a mais que no ano passado”
Em 2025, as vitórias da equipe viraram tema recorrente, embora Matxín minimize a obsessão pela conquista de uma histórica temporada com 100 vitórias.
“100 é apenas um número. Se for possível, uma a mais que no ano passado”, disse. “Ganhamos 97 em 2025. Para a UCI, são 95, porque as 2 vitórias de Isaac Del Toro são consideradas de 2026.”
Em seguida, acrescentou: “Em 2025, ganhamos 97, embora, honestamente, eu ache que sejam 99 se somarmos os títulos mundiais e europeus de Pogacar, que foram conquistados com a Eslovênia, mas também trabalhamos para isso.”
Com 95 vitórias contabilizadas pela UCI, a UAE Emirates-XRG superou o recorde da Team Columbia HTC, que durava 16 anos, alcançando 85 vitórias em 2009.

“Ganhamos 17 corridas por etapas, 20 ciclistas venceram e 41.000 pontos, um recorde”
Os resultados confirmam a análise do dirigente. “Ganhamos 17 corridas por etapas, 20 ciclistas diferentes venceram, e conquistamos 41.000 pontos, o que é um recorde absoluto. Somos a melhor equipe do mundo por 3 anos consecutivos, algo que nos deixa muito satisfeitos. Um feito notável, eu diria.”
Para Matxín, vencer é apenas parte do trabalho. O maior desafio está em sustentar um projeto vencedor ao longo do tempo. “Vencer é difícil, mas o mais difícil é fazer com que todos cresçam sem que o equilíbrio seja quebrado”, explicou.
“Claro que sempre haverá pessoas que podem dizer coisas, mas precisamos ter uma abordagem de equipe que respeite as intenções de todos. Quando os papéis são claros, não há mal-entendidos.”

“Isaac del Toro estará no Tour com foco em Tadej Pogacar”
Uma das decisões mais simbólicas para o calendário de 2026 será a estreia de Isaac del Toro no Tour de France.
“Desde que estive com ele na Il Lombardia, conversamos um pouco sobre isso. Apresentei 2 possibilidades. Ele gostou de ambas, mas ficou um pouco mais convencido com a ideia de participar do Tour”.
“E também de fazê-lo sem pressão, com o foco em Tadej Pogacar. É a melhor maneira de passar pelo Tour sem ninguém exigindo, perguntando ou criando expectativas, assim ele vai realmente aprender.”

“A Vuelta para Pogacar não está descartada”
Além do foco no Tour de France e nos Monumentos, o calendário de Tadej Pogacar ainda guarda uma dúvida importante: a possível participação na Vuelta a España. Matxín explicou que a decisão só será tomada após o Tour.
“Sim, foi assim que ficou definido”, afirmou. “A Vuelta não está descartada, obviamente, mas queremos respeitar a competição. Não queremos criar expectativas se não soubermos realmente como Pogacar está. Vamos esperar.”
A participação de Vingegaard no Giro d’Italia é um alívio?
“Ainda não é oficial que ele irá. Não podemos criar nosso calendário com base no calendário dos nossos rivais. Temos que criar um calendário que melhor se adapte aos nossos interesses e às características de cada equipe”, afirmou o espanhol.

Mudança das datas dos Grand Tours: “Organizadores precisam tomar decisões”
Fara finalizar, Matxín também comentou a discussão sobre uma possível troca de datas entre Giro d’Italia e Vuelta a España, tema que foi levantado por Tadej Pogacar.
“Acho que é uma decisão que os organizadores da prova precisam tomar. É claro que Tadej mencionou isso por causa do clima”.
“Em agosto, quando estaremos na Espanha, fará muito calor. E na Itália (em maio), pode haver muita neve. Se realizarmos esta Vuelta em abril, a que faremos em 2026, certamente nenhuma etapa será cancelada”.