“Isso é irritante, temos apenas duas horas para treinar”, Remco Evenepoel frustrado na última entrevista antes do Mundial
Remco Evenepoel conversou com a imprensa pela última vez na noite desta sexta-feira, antes de entrar na disputa pelo inédito Tetracampeonato Mundial de Contrarrelógio (Fabian Cancellara e Tony Martin venceram 4x porém, não consecutivamente).
O belga demonstrou preocupação com o pouco tempo disponível para conhecer completamente o percurso. A motivação, porém, estava em alta. “Consegui reduzir mais 15 segundos”, afirmou Evenepoel, em declaração reproduzida pelo canal Sporza.
“É frustrante termos apenas duas horas de treinamento”
Nos últimos dias, Remco Evenepoel realizou diversos treinamentos utilizando sua bicicleta de contrarrelógio. O objetivo foi ajustar todos os detalhes antes da competição. “Para que tudo funcione perfeitamente e para testar um pouco a relação de marchas”, explicou o favorito à vitória.
Os treinos aconteceram nas proximidades da hospedagem da equipe, já que os ciclistas só terão autorização para percorrer integralmente o percurso no sábado. “Isso é bem irritante”, admitiu Evenepoel, sem esconder seu descontentamento.
“É frustrante termos apenas duas horas (para percorrer o percurso), especialmente com um percurso tão grande de 40 km. Então, será um desafio encontrar um atalho para ver um pouco mais de cada trecho. Felizmente, é igual para todos. Essa é a vantagem”, complementou Remco Evenepoel.
“Poderiam ter feito a distância um pouco maior”
O traçado, bastante plano, foi um dos principais assuntos da entrevista coletiva. A característica do percurso pode não ser exatamente a que mais favorece ao ciclista belga.
“Como é tão plano, acho que talvez pudessem ter feito a distância um pouco maior”, afirma Remco Evenepoel.
Para os 39,2 km da prova, o campeão mundial trabalha com uma previsão de aproximadamente 42 a 43 minutos. “É um esforço considerável, especialmente devido aos longos trechos retos. Consequentemente, há uma pressão constante nos pedais.”
Apesar do percurso ser predominantemente plano, os últimos quilômetros apresentam uma subida de 400 metros a 6%. Para Evenepoel, esse trecho pode representar uma oportunidade para fazer diferença.
“É um exemplo bobo, mas no GP de Montreal consegui reduzir uma diferença de 15 segundos ali. Isso mostra que ainda é possível ganhar terreno se você tiver um pouco mais de fôlego”.
“Essa é uma seção onde tenho vantagem por causa do meu peso, mas espero que não chegue a esse ponto.”
“Filippo Ganna vai ser perigoso”
Evenepoel deixou claro que pretende manter a mesma abordagem de outras provas semelhantes. “O segredo é tratar cada contrarrelógio da mesma forma”.
Ainda assim, o belga não deixou de apontar seu principal adversário. “Junto comigo, Filippo Ganna é o grande favorito”, reconheceu o tricampeão mundial.
Evenepoel também destacou uma característica de Filippo Ganna que pode ser especialmente perigosa nos quilômetros finais da prova. A experiência do italiano nas competições de perseguição pode ajudá-lo a manter um ritmo muito elevado até a chegada.
“É alguém que consegue impor um ritmo forte nos últimos 2 ou 3 km, graças à sua experiência em provas de perseguição. Então, isso vai ser perigoso. Vai ser mais emocionante do que no ano passado”, prevê Evenepoel, encerrando a entrevista.