“Já tentaram tudo contra Tadej Pogacar, nunca funcionou” Lance Armstrong vê novo domínio de Pogacar no Tour de France, assista o vídeo
Os ex-ciclistas Lance Armstrong, Johan Bruyneel e o jornalista Spencer Martin, integrantes do podcast The Move, analisaram o percurso do Tour de France 2027, apresentado nesta quinta-feira, em Paris.
Um dos principais pontos discutidos foi o aumento da quilometragem dos contrarrelógios individuais, que somarão 71 km, uma distância que não era vista na prova desde 2012, quando Bradley Wiggins conquistou o título.
A intenção da organização seria evitar que Tadej Pogacar (UAE Emirates), demonstrasse novamente seu domínio e a competição despertasse menos interesse do público. Segundo os especialistas, mesmo que isso ocorra, não será suficiente para evitar uma nova vitória do esloveno.
“Já tentaram tudo com Tadej Pogacar, nunca funcionou”
Lance Armstrong, vencedor de 7 edições do Tour de France, títulos posteriormente retirados em decorrência do escândalo de doping, levantou dúvidas sobre a decisão dos organizadores de ampliar o espaço dedicado às provas contra o relógio.
“Você sabe, acho que a coisa que eu olho e penso, ok, 71 km de contrarrelógio, por quê? Quer dizer, obviamente nós adoramos isso, mas aí você se pergunta: por que eles estão fazendo isso?“, questiona o americano.
“Eles fizeram isso com a gente. Eles estão constantemente tentando. Na nossa época era tentar tornar o percurso à prova da US Postal, facilitar para as outras equipes atacarem ou tornar mais difícil para nós defendermos, ou simplesmente tornar a corrida mais acirrada ou mais interessante”, relembra Armstrong.
“Alguém poderia dizer que mais quilômetros de contrarrelógio individual é melhor para o Remco Evenepoel e, em teoria, do que para Tadej Pogačar. Já tentaram todos esses jogos com o Tadej, na teoria. Essa teoria nunca funcionou”, complementa Lance Armstrong.
“Tadej Pogacar vai vencer novamente”
Johan Bruyneel, ex-diretor de Lance Armstrong concordou com a análise do americano e argumentou que o equilíbrio entre as etapas de montanha e os contrarrelógios é mais importante do que a tentativa de favorecer determinado perfil de corredor.
“Concordo com você, Lance. Você precisa ter a quantidade certa de subidas, a quantidade certa de contrarrelógio. Não importa realmente por onde eles vão”.
“O melhor ciclista com a melhor equipe vence. E acho que vai ser o Tadej Pogačar de novo. Sabe, claro que ainda precisamos ver como ele se recupera da queda na Vuelta a España, mas ele parece estar bem. Eu gosto do fato de terem aumentado o número de quilômetros de contrarrelógio.”
“Pogacar é um pouco parecido com Lance, Evenepoel não”
Bruyneel ponderou que a mudança dificilmente será suficiente para alterar o desfecho da disputa pela classificação geral.
“Mas não acho que isso vai afetar a primeira posição de forma alguma. Geralmente o melhor contrarrelogista é o melhor escalador. Então, aí você tem um problema se estiver tentando manipular o resultado ao adicionar mais contrarrelógios”.
“Vamos usar o Lance como exemplo. Ele vai se sair muito bem nos contrarrelógios. Você adiciona mais subidas. O Lance vai se sair muito bem nas subidas. O Tadej é parecido. Acho que é um pouco diferente com o Evenepoel”, analisou Johan Bruyneel.
“Estão tentando mudar a percepção de que a corrida acaba cedo demais”
Outro aspecto que chamou a atenção de Bruyneel foi a logística da edição de 2027. Segundo ele, a organização foi obrigada a realizar grandes deslocamentos para toda a caravana da competição em busca de mais equilíbrio na disputa pela Maillot Jaune.
“Antes de tudo,os deslocamentos vão ser uma loucura. Olhem para o mapa. Eles vão percorrer uma distância enorme nos primeiros 8 dias. Não consigo imaginar como será estar naquela caravana da corrida e depois eles meio que se acalmam na segunda metade da prova com os deslocamentos.
“Mas acho que não estão tentando realmente afetar o resultado. Estão tentando mudar a percepção de que a corrida acaba cedo demais”, complementou o belga.
“Chegamos a 18ª etapa e Pogacar dá uma surra em todo mundo”
Armstrong retomou a palavra para explicar como o novo desenho do percurso poderá contribuir para prolongar a expectativa em torno da disputa pela camisa amarela.
“Digamos que após a 7ª etapa, que é um contrarrelógio longo, digamos que Evenepoel esteja com a Maillot Jaune, você sabe, George (Hincapie, colega de programa que não estava presente) vai dizer: ‘Ele vai vencer essa corrida. Ele vai vencer essa corrida’.
“E é isso que eles estão tentando fazer. Acho que eles estão tentando adicionar um pouco de suspense e então chegamos à etapa 18. Pogačar dá uma surra em todo mundo e sabemos que acabou. Mas esperamos todo esse tempo, acho que esse é o objetivo com isso. Não vai levar até a 18ª etapa, eu acho.”
A conversa terminou com uma breve concordância sobre a possibilidade de a definição acontecer antes da 18ª etapa. “Provavelmente não.”