“João Almeida teria subido ao pódio do Tour de France” diretor da UAE Emirates analisa desempenho da equipe e 4ª vitória de Tadej Pogacar
O diretor esportivo da UAE Emirates-XRG, Joxean Fernández “Matxin”, concedeu entrevista ao jornal espanhol AS após a conquista do 4º título de Tadej Pogacar no Tour de France.
Aos 54 anos, Matxin é o principal responsável pela coordenação da melhor equipe do mundo, papel que inclui o planejamento da temporada de todos os ciclistas e as lideranças da equipe nas diferentes competições durante o ano.

“Estou convencido que João Almeida teria subido ao pódio”
Quatro Tours de France conquistados por Pogacar aos 26 anos é um feito impressionante. Matxin, emocionado, reagiu de forma direta: “Ufa… minha primeira impressão, com uma declaração dessas, é que estamos entrando para a história.”
O diretor avaliou positivamente o desempenho da equipe, mas lamentou a queda de João Almeida:
“Eu daria uma nota alta em todos os aspectos. Não daria um A para o acidente do João Almeida”.
“Sou ambicioso, a equipe também, e temos muitos motivos para ser, então perdê-lo devido a um acidente foi difícil, porque estou convencido de que ele teria subido ao pódio, ou pelo menos lutado por ele, e também em termos de classificação da equipe (a Visma-Lease a Bike venceu a Classificação de Melhor Equipe)”, lamentou Matxín.

“Eu não entendo por que algo assim foi feito no Tour de France”
Matxin reconheceu que os primeiros dez dias foram desafiadores. Em muitos casos, tivemos que assumir a responsabilidade sem sermos líderes. Agora acabou”.
“Eu realmente não entendo por que algo assim foi feito no Tour de France, com toda a tensão que existe. Não é uma questão de segurança, é uma questão de espaço natural. São 23 equipes, e às vezes elas não cabem todas em uma estrada larga, imagine em uma estreita”.
Um Pogacar menos agressivo… por estratégia
O estilo ofensivo de Pogacar precisou ser contido pela necessidade de manter uma sólida vantagem.
“Ele gosta de ser competitivo e, como tivemos que defender e esperar pelos ataques, esse tipo de defesa não é divertido, nem para o espectador nem para ele”.
“É da nossa natureza partir para o ataque, mas quando você tem uma vantagem de quatro minutos na classificação, também precisa ser consistente.”

O desafio de manter a motivação de Tadej Pogacar
Para manter Pogacar motivado, a equipe admite realizar mudanças constantes no calendário e em objetivos variados:
“Há alguns anos, ele fez Jaén e Andaluzia, em outros, mudou seu calendário, como da Paris-Nice para Tirreno-Adriático… por exemplo, depois de vencer a Volta a Catalunya, olhamos para as clássicas como motivação para nos superarmos e nos prepararmos de forma diferente”.
“Essas são corridas que exigem um longo período de treinamento invisível, com muitos dias longe de casa, e isso também é competição”.

Pogacar é movido pela paixão, não pela história
Matxin foi enfático ao afastar a ideia de que Pogacar esteja obcecado por recordes:
“Eu o conheço bem e diria que não. Não é a motivação dele. Ele é motivado pelo percurso, por quem é o seu rival, pelos companheiros de equipe que terá, analisando tudo… na verdade, no dia a dia.”
Ele ainda refletiu sobre o impacto da falta de competição direta:
“Talvez a falta de competitividade tenha nos entediado um pouco”.

“Ainda tem espaço para melhorar, tem motivação para isso”
O dirigente reconhece que nem tudo gira em torno do Tour e que planos podem mudar a qualquer momento:
“Ano passado, logo após o Tour de France, só se falava que ele iria para a Vuelta e faria história tentando vencer os três Grand Tours em um ano. Depois, venceu o Campeonato Mundial e ninguém se lembrava mais.
“Depois de reconhecer Roubaix, ele deveria correr em Roubaix. É por isso que planejamos com muito cuidado”, complementou Matxín. Sobre Pogacar, Matxin é categórico: “Sem dúvida”, afirmou quando perguntado se o esloveno é o maior talento que já viu.
E completa: “Ele ainda tem espaço para melhorar, tem motivação para isso, e isso pode ser alcançado.”

A engrenagem por trás do sucesso da UAE Emirates
O diretor explicou como o sucesso da equipe é fruto de planejamento meticuloso:
“Para cada corrida, analisamos os dois ciclistas que competirão como líderes e fazemos uma avaliação esportiva com eles pessoalmente e com a equipe. […] Digo a todos para sempre saírem sem medo.”
Ele também destacou a importância de decisões bem pensadas na escolha dos ciclistas para o Tour:
“Há muitos ciclistas solicitando, e nesse caso, preciso tomar uma decisão. Tivemos vários reservas no Training Camp em altitude, como Novak, Majka, Veemeersch… tudo é muito bem planejado.”

“A perfeição como ciclista”
Ao falar sobre o futuro, Matxin citou jovens promissores:
“Isaac del Toro, Juan Ayuso… jovens ciclistas que têm a capacidade de assumir um papel importante. […] Ninguém além do mexicano consideraria Del Toro o favorito no Giro, e ele mostrou a garra que tem.”
Ao final da entrevista, Matxin resumiu quem é Pogacar em poucas palavras:
“A perfeição como ciclista.”