“Jonas Vingegaard desistiu de tentar vencer Tadej Pogacar?” diretor do WorldTour analisa decisão de Vingegaard, assista o vídeo
A decisão de Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) de participar do Giro d’Italia levanta uma questão que pode estar além de simples escolhas de calendário ou características de percurso.
Trata-se de um novo desafio? Ou uma estratégia, após a equipe admitir a incapacidade do dinamarquês frente ao praticamente imbatível Tadej Pogacar (UAE Emirates) no Tour de France?
No episódio mais recente do podcast Beyond the Podium, da NBC Sports Cycling, o comentarista Bob Roll e Tejay van Garderen, vencedor de etapa do Giro e atual diretor da EF Education EasyPost, acreditam que tudo está inserido em um contexto em que Tadej Pogacar é o centro da discussão.

“Ele desistiu de tentar vencer Tadej Pogacar no Tour de France?
A declaração serviu como ponto de partida para uma reflexão mais ampla: “Minha principal pergunta quando ouvi isso foi: ele desistiu de tentar vencer Tadej Pogacar no Tour de France?”, questiona Rob Roll, iniciando a discussão.
Van Garderen, por sua vez, apresentou uma ótica que destaca sua ambição. “Ele já venceu o Tour duas vezes. Acabou de vencer a Vuelta. Ele quer completar a Tríplice Coroa”, explicou.
“Mas, ao mesmo tempo, Pogacar tem sido muito dominante. Se você olhar para os 2 últimos Tours, Jonas nem chegou perto. Então, se ele quiser gravar seu nome nos livros de história, talvez tenha que começar a se esquivar um pouco. Um pouco no estilo Floyd Mayweather, escolher as lutas mais fáceis.”

“As pessoas estão percebendo que, com Tadej, não existe disputa“
Roll aprofundou essa linha de raciocínio ao sugerir que as equipes estão cada vez mais realistas sobre o desafio de enfrentar Pogacar. “As pessoas estão percebendo que, com Tadej por perto, não existe disputa acirrada”, afirmou.
“Se você é a Visma e está tentando maximizar a exposição dos seus atletas, pelos quais você paga caro para competir, talvez percebendo que Tadej provavelmente, a menos que aconteça uma catástrofe, vai vencer o Tour… por que não começar com Jonas no Giro deste ano?”

“2º lugar no Tour e vitória no Giro, isso não é um fracasso“
Para Van Garderen, essa abordagem não deve ser confundida com medo ou desistência. “Mas se você terminar a temporada, digamos, em segundo lugar no Tour, com uma vitória no Giro d’Italia e algumas outras vitórias pelo caminho, é difícil chamar isso de fracasso”, analisou Tejay Van Garderen.
“Na verdade, estou muito curioso para ver se ele vai se apresentar melhor no Tour do que nos últimos 2 anos, com uma Grande Volta nas pernas”, complementou Van Garderen. Ele também levantou a possibilidade de Vingegaard estar seguindo um modelo que já deu resultados positivos.
“Talvez ele tenha se sentido mais forte na Vuelta de 2025 e pensado: ‘Sabe de uma coisa? Fazer um Grand Tour me preparou bem e minhas pernas estavam incríveis. Por que não replicar isso e disputar o Giro para tentar estar no meu melhor para o Tour?’”

“Com Tadej lá, simplesmente não funciona”
Bob Roll concordou que o Giro pode funcionar tanto como objetivo principal, quanto como laboratório competitivo. “Eu mesmo ficarei mais motivado para observar o desempenho de Jonas no Giro e usar muitas dessas informações para o Tour de France”, disse.
Ainda assim, ambos reconhecem que o contexto não pode ser ignorado. A simples presença de Pogacar altera completamente o cenário. “Gostaríamos de ver todas as estrelas em plena forma, frente a frente no Tour, mas com Tadej lá, simplesmente não funciona assim.”
Van Garderen observou que diversos ciclistas e equipes estão moldando seus programas com base em onde Pogacar não estará. “Todos estão apenas tentando encontrar onde podem maximizar seu próprio sucesso. Você quer terminar sua carreira com o maior palmarés possível”, finalizou o americano.