Jovem ciclista da UAE Emirates descreve drama após queda “meus óculos salvaram meus olhos, eu poderia ter ficado cego”
Quatro meses após o violento acidente sofrido no Tour da Polônia, Filippo Baroncini (UAE Emirates) voltou a subir na bicicleta e segue seu processo de recuperação visando o retorno às competições.
O Campeão Mundial Sub-23 em 2021, garante que a evolução tem sido positiva, embora as lembranças do episódio ainda estejam muito presentes.
Baroncini, de 25 anos, sofreu uma dura queda no início de agosto, durante a 3ª etapa da prova, ao perder o controle em alta velocidade e colidir com um muro. “Ainda me lembro de cada detalhe da queda”, revelou o ciclista ao canal belga Sporza.

“Ainda não tenho coragem para olhar as fotos”
As imagens registradas logo após o acidente ainda são difíceis de enfrentar. “Ainda não tenho coragem para olhar as fotos tiradas logo após o acidente”, afirma. “Ver meu rosto tão machucado é algo que não consigo suportar.”
“Em um trecho perigoso de descida, havia muita brita em uma curva. Perdi o controle da minha bicicleta e, infelizmente, caí.”
O italiano descreve a angústia pela demora no atendimento médico. “Fiquei 45 minutos deitado numa ambulância parada. Inacreditável, considerando o estado em que eu estava” relembra Baroncini.
“Foi o médico da INEOS que pediu aos paramédicos que se apressassem e me levassem ao hospital”, explicou, acrescentando o auxílio de Michal Kwiatkowski, “sou grato a ambos por isso.”

“Meus óculos salvaram meus olhos, eu poderia ter ficado cego”
Os ferimentos foram extensos. “Quebrei a mandíbula, o nariz foi esmagado e por pouco não fiquei cego”, relatou Baroncini.
Ele acredita que os óculos de sol foram decisivos para preservar a visão. “Como eu estava usando óculos de sol, meu nariz quebrou, mas esses mesmos óculos salvaram meus olhos. Foi por apenas alguns milímetros, e eu teria ficado cego.”

No hospital, as lesões no rosto se tornaram a principal preocupação. Os médicos decidiram induzi-lo ao coma, e sua família viajou às pressas para a Polônia.
“Meu pai e meu irmão viajaram para a Polônia para me ver dormindo em uma cama de hospital por dias, depois, soube o quanto foi difícil para eles. Se eu pudesse ter dito ao meu pai antes do coma que eu estava bem, eu teria dito. Mas eu não estava em condições de fazer isso.”
Ainda em coma, Baroncini foi transferido de avião para a Itália, onde passou por uma cirurgia de 11 horas na mandíbula e no rosto. “Quando acordei depois de duas semanas, percebi que ainda era um milagre eu estar vivo e ainda conseguir enxergar”, disse.

Retorno aos treinos: “Sofro mais do que os outros, mas preciso ter paciência”
A volta à atividade tem sido feita passo a passo. Primeiro, sessões de reabilitação na piscina; depois, o retorno aos treinos em outubro, durante o período de concentração da equipe em Abu Dhabi.
“Agora, 2 meses depois, estou feliz por poder treinar aqui no Training Camp com meus colegas de equipe”, afirmou. “Claro, sofro mais do que os outros porque minha condição ainda está longe do ideal. Mas sei que preciso ter paciência.”

O desafio psicológico e retorno em março
Se fisicamente a evolução é visível, o lado mental exige ainda mais cuidado. “Ainda não tenho coragem de olhar as fotos tiradas logo após o acidente”, repetiu. “Ver meu rosto tão machucado me impede de lidar com isso.”
Para enfrentar o trauma, Baroncini buscou ajuda profissional. “Comecei a conversar com um psicólogo para tentar esquecer toda essa experiência, porque se eu ficar relembrando esse acidente, não vou conseguir ter um bom desempenho.”
Sobre o retorno às competições, o italiano já estabelece um horizonte. “Na minha cabeça, é o final de março, mas até lá, ainda preciso melhorar muito meu condicionamento físico, meu grande sonho é Milan-Sanremo”, concluiu Baroncini.