Juan Ayuso abre o jogo sobre sua saída da UAE Emirates “a atitude intolerante do Mauro Gianetti impediu a renovação do contrato”
Juan Ayuso tem sido um dos nomes mais comentados no cenário do ciclismo nas últimas semanas. Primeiro, foi sua inesperada convocação para a Vuelta a España, após inicialmente ser preterido por Tadej Pogacar. Em seguida, veio o anúncio da UAE Emirates-XRG sobre a rescisão de seu contrato.
Finalmente, nesta semana, sua transferência para a Lidl-Trek foi oficializada. Em entrevista ao jornal espanhol Marca, concedida em Kingali antes do Campeonato Mundial de Ruanda, o espanhol falou abertamente sobre os bastidores da sua polêmica saída da UAE Emirates.

“Foi um tipo diferente de pressão e estresse”
Questionado sobre as dificuldades enfrentadas nesse período, Ayuso foi direto: “Foi um processo. Do Giro à Vuelta, foram alguns meses um pouco complicados”.
“Foi um tipo diferente de pressão e estresse: tentar negociar uma saída e passar meses de ora sim, ora não, ora te dizem isso, ora você tem que ligar para fulano, ora você tem que falar com isso…”
“Antes da Vuelta, eu ainda não tinha assinado, mas já estava vendo as coisas com mais clareza e comecei a me sentir um pouco mais calmo. Mas sim, especialmente durante o Tour e assim por diante, foi um período um pouco estressante.”

Relação com Matxin: “chegou a um ponto em que se tornou insustentável”
Ayuso explicou como foi sua relação com o diretor da equipe, Joxean Fernández Matxin: “Eu tinha um papel difícil. Tinha um relacionamento muito bom com ele, mas chegou a um ponto em que se tornou insustentável. Matxin se viu no meio do caminho”.
“Eu disse a ele que era melhor ele ficar fora e que estava tudo bem. Ele entendeu minha decisão, me respeitou e me ajudou a deixar o time. Sou grato a ele por isso.”

“Eu tinha uma proposta de contrato até 2030, mas a atitude ‘intolerante’ do Mauro impediu”
O ciclista também falou sobre o rompimento com Mauro Gianetti, CEO da UAE Emirates, revelando os bastidores das negociações.
“As pessoas também não sabem que eu tinha uma proposta de extensão de contrato até 2030 desde janeiro de 2025. Então ele não ficaria muito chateado comigo…”
“O engraçado é que no começo do ano havia a possibilidade de chegar a um acordo, mas, sem entrar em detalhes, a atitude ‘intolerante’ do Mauro impediu mais uma vez.”

Ayuso ainda comentou sobre as críticas públicas recebidas. “Antes da La Vuelta, eu nunca tive má reputação na equipe ou comportamento que justificasse críticas públicas do meu chefe”.
“Cada um é livre para dizer o que quiser na imprensa. Essas coisas te afetam, e você não entende por que são necessárias. No final, o relacionamento acaba porque ficou muito difícil, e você acaba ficando bravo.”
“Sempre nos diziam que eu estaria na Vuelta, se o Tadej não fosse’
Sobre sua participação na Vuelta a España, o espanhol relatou altos e baixos: “Depois do Giro, eu queria ir à Vuelta”.
“Depois, com as negociações para rescindir meu contrato, tive altos e baixos nos treinos: houve momentos em que eu não queria, e outros em que queria, porque adoro a Vuelta. A incerteza nos afetava: sempre nos diziam que eu estaria lá, se o Tadej não fosse, e isso durou até o final do Tour.”

Bom relacionamento com João Almeida
Apesar dos rumores sobre tensão interna, Ayuso foi questionado sobre o seu relacionamento com João Almeida e fez questão de reforçar o bom relacionamento com o colega português.
“Sim. Eles sempre tentam criar drama onde não há. O clima entre meus companheiros era muito bom. O problema sempre foi mais com a diretoria da equipe”.
“No jantar, com tudo acontecendo, nós brincamos e rimos. Eles entenderam bem a situação e me ajudaram a encarar com humor. Eles sabiam o que eu estava passando e me ajudaram a encarar com humor e me distrair.”

Sonho com os Grand Tours
Quando questionado sobre sua participação no Tour de France, Ayuso respondeu que não é obcecado apenas pela corrida francesa:
“Qualquer um dos três Grand Tours serviria para mim. O Tour é a corrida, sim, mas o Giro e a Vuelta estão se tornando cada vez mais importantes. Vencer qualquer um deles seria um sonho.”
