Mesmo após polêmica no Tour de France, diretor mantém confiança em Lenny Martinez “ainda tem um longo caminho a percorrer”
O jovem escalador francês Lenny Martinez, de 22 anos, completou seu segundo Tour de France, desta vez como ciclista da Bahrain Victorious, após sua saída da Groupama-FDJ no final de 2024.
Apesar do destaque em algumas etapas, a participação de Martinez foi marcada por momentos irregulares, críticas e aprendizados, conforme destacou seu diretor esportivo, Roman Kreuziger.

“O pressionamos nos Alpes para lutar pela camisa de bolinhas”
Martinez terminou o Tour na 79ª posição da classificação geral, uma melhora significativa em relação ao 124º lugar obtido em 2024. Durante a corrida, ele chegou a vestir a camisa de montanha, demonstrando combatividade nas etapas alpinas.
“Lenny fez mais ou menos o que esperávamos dele; o vimos atacar em várias etapas. Ele lutou pela camisa de bolinhas por muito tempo, o que foi bom”.
“Queríamos muito ver até onde ele conseguiria chegar nesta classificação, então o pressionamos nos Alpes para lutar por ela”, declarou Kreuziger ao DirectVelo.
Martinez teve um bom desempenho especialmente na etapa final de montanha até La Plagne, onde chegou em 11º lugar, em uma jornada vencida por Thymen Arensman.
Segundo Kreuziger, essa foi uma conquista relevante: “É a primeira vez que ele tem um bom momento no final de um Tour, o que é muito importante para o futuro.”

Polêmica com garrafas “ele cometeu muitos erros, precisamos continuar trabalhando”
Um dos momentos mais comentados de Martinez aconteceu durante a 18ª etapa, quando ele usou a polêmica técnica da garrafa d’água pegajosa, algo contra o regulamento, e foi penalizado. A repercussão foi imediata, tanto na imprensa quanto entre torcedores. Nomes como Richard Plugge (diretor da Visma-Leasde a Bike) o criticaram abertamente o incidente.
Kreuziger, no entanto, vê o episódio como parte do processo de amadurecimento do jovem ciclista: “Ele cometeu muitos erros nos quais precisamos continuar trabalhando.”
O diretor também adotou uma postura mais reservada ao falar sobre o futuro de Martinez: “É melhor que fique dentro da equipe. Vamos resolver isso entre nós e trabalhar nisso. Acho que ele pode ficar satisfeito no geral. Ele não venceu uma etapa, mas tentou, e isso é bom.”
Último lugar na 1ª etapa em Lille
Com apenas 52 kg, Martinez sofreu em etapas planas. Ele chegou em último lugar na primeira etapa em Lille, cruzando a linha de chegada 9 minutos e 11 segundos após o vencedor Jasper Philipsen. Nas montanhas, também alternou boas exibições com quedas de rendimento, como na própria 18ª etapa, onde terminou em 149º, atrás até mesmo do sprinter Jonathan Milan.
Ainda assim, Kreuziger minimiza essa oscilação: “A ideia era que ele jogasse bem suas cartas em certas etapas e pedalasse com mais calma em outras. Isso não é um problema para mim. Há coisas que não estão certas, mas sua inconsistência não é uma delas.”

“Três semanas é algo completamente diferente”
Embora Martinez tenha sido visto como um possível vencedor de Grand Tours, Kreuziger é cauteloso. “Teremos que esperar para ver o que acontece com o resto da equipe e quais escolhas faremos no futuro”.
“Acho que Lenny ainda tem um longo caminho a percorrer para vencer um Grand Tour. Para corridas de uma semana, é bom, sim, ele já provou isso, mas três semanas é algo completamente diferente”, finalizou Romain Kreuziger.
